Infância e Normatividade na BNCC: Efeitos de Sentido e Silenciamentos
DOI :
https://doi.org/10.5281/zenodo.22700671Mots-clés :
Infância, Currículo, BNCC, Análise de Discurso FrancesaRésumé
Este artigo analisa os sentidos produzidos sobre a infância no discurso da BNCC e os silenciamentos decorrentes da construção de um sujeito infantil idealizado. A pesquisa ancora-se na Análise de Discurso francesa, que compreende o discurso como espaço de disputa e produção de sentidos. Foram examinados fragmentos da BNCC (2017) em articulação com enunciados de textos militantes, acadêmicos e experiências pedagógicas, que tensionam a concepção homogênea de infância presente no documento. A análise mostra que o sujeito infantil convocado pela BNCC é marcado por lógica desenvolvimentista e neoliberal, desconsiderando as condições concretas das crianças brasileiras e silenciando marcadores de classe, raça, território e deficiência. Ao mobilizar os conceitos de formação discursiva, sujeito, silêncio e condições de produção, o estudo evidencia que tais silenciamentos não são fortuitos, mas resultam de escolhas ideológicas inscritas na materialidade discursiva da política curricular. O confronto com outras materialidades discursivas permite identificar deslocamentos e resistências que reinscrevem a infância como experiência plural, situada e atravessada por desigualdades estruturais. Desse modo, o artigo contribui para a desnaturalização do currículo oficial, problematizando os efeitos de homogeneização da infância e afirmando a necessidade de reconhecer as múltiplas infâncias que constituem a realidade educacional brasileira.
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