Entre o quarto da empregada doméstica e outros espaços: o corpo negro, as heterotopias e utopias na pandemia
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18174908Palavras-chave:
Empregada Doméstica Mulher Negra; Senzala; Quartinho da Empregada Doméstica; Utopia; HeterotopiaResumo
RESUMO
Suportado pelos estudos foucaultianos acerca do conceito de heterotopia, assim como pelos estudos decoloniais a partir de autoras e autores como Carneiro (2020), Davis (2016), Moore (2017), Almeida (2018) e Vida (2021), o presente trabalho tem por objetivo analisar como o discurso-corpo da mulher negra empregada doméstica é demarcado por utopias justapostas a heterotopias durante a pandemia ocasionada pelo SARS-CoV-2, vírus responsável pela Covid-19. Para isso, propomos a análise da webtirinha Senzala, parte da série Confinada (2020), que circula na rede social Instagram desde 2020, período da pandemia. A webtirinha nos conduz a uma leitura discursiva sobre como o imaginário social se manifesta na construção desses espaços (utópicos e heterotópicos) e na constituição do sujeito mulher negra empregada doméstica. Especificamente, investigamos como o discurso-corpo da mulher negra empregada doméstica é demarcado por utopias e heterotopias a partir do espaço do quartinho da empregada doméstica, especialmente entre 2020 e 2021, período que vivemos o lockdown em virtude da pandemia sobredita. Compreendemos que o quarto da empregada doméstica constitui uma heterotopia moderna que, ao evocar a senzala da época da escravidão, revela muito sobre a sociedade contemporânea. A reprodução desse tempo-espaço persiste em nossa sociedade atual, exemplificada pelo quartinho da empregada, que funcionaria como uma senzala moderna. O quartinho da empregada doméstica representa uma heterotopia que reflete e perpetua relações de poder e desigualdade entre empregadores e empregados, especialmente considerando o contexto racial e de classe.
PALAVRAS-CHAVE: Empregada Doméstica Negra; Senzala; Quartinho da Empregada Doméstica; Utopia; Heterotopia.
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Referências
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