Fronteiras geográficas, de línguas e gêneros em Cristina Rivera Garza
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22442621Keywords:
Cristina Rivera Garza. Fronteiras. Glotopolítica. Práticas translíngues. Pós-autonomia.Abstract
Nascida na região da Fronteira Norte – entre o México e os Estados Unidos, Cristina Rivera Garza é uma das vozes mais potentes e renomadas da literatura mexicana, tendo recebido importantes prêmios, a exemplo do Pulitzer (2024). No conjunto de sua obra ficcional, mas também teórico-crítica, além da violência contra mulheres, a fronteira transforma-se em um tema de fundamental atenção. Neste artigo, tendo como corpus de análise o livro La frontera más distante (2023), traçamos como objetivo geral problematizar a formação de três performatividades fronteiriças em Rivera Garza. De modo inicial, consideramos os deslocamentos geográficos dos personagens da obra como a primeira representação fronteiriça, que funciona aí como um dispositivo performativo. Em seguida, identificamos uma segunda fronteira que diz respeito ao contato entre línguas – especificamente entre os pares linguísticos a seguir: espanhol-inglês, chinês-nüshu. A terceira performatividade discursiva, associada à figura da fronteira, emerge da imbricação e da mixagem de gêneros literários presentes na obra. Para a análise de cada uma dessas performatividades fronteiriças, o estudo se ampara nos seguintes autores: Andrade (2019), Anzaldúa (2016), Deleuze e Guattari (2011), Ette (2019), Guespin e Marcellesi (2021), Lagares (2021), Ludmer (2007), Segato (2018), entre outros. Como resultado, o artigo aponta que La frontera más distante (2023) coloca em tensionamento, e consequentemente em posição fronteiriça, os espaços geográficos, as línguas que aparecem ao longo das histórias contadas e os gêneros literários que, em posição de imbricação e de mixagem, constituem o conjunto de narrativas que formam o todo da obra.
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