Entre violência herdada e ruptura: decolonialidade e infância em Longe de mim, de Lindevania Martins

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.22541940

Palavras-chave:

Decolonialidade, Infância, Longe de mim, Lindevania Martins

Resumo

Este artigo analisa o conto Longe de mim (2019), da escritora contemporânea Lindevania Martins, a partir de uma perspectiva decolonial, com o objetivo de compreender como a colonialidade de gênero estrutura a experiência de maturidade precoce da protagonista. A narrativa problematiza a noção universalizada de infância ao apresentar a trajetória de Josi, uma menina inserida em um contexto de vulnerabilidade social, marcado pela violência doméstica e pela instabilidade afetiva. Nesse cenário, a infância deixa de se configurar como espaço de proteção e passa a ser atravessada por exigências que antecipam responsabilidades, bem como pela violência de gênero, impondo uma compreensão precoce do mundo adulto. Fundamentado em autoras e autores como Walter Mignolo (2017), Maria Lugones (2020), Lélia Gonzalez (2020) e Rita Segato (2021), o estudo adota uma abordagem qualitativa e evidencia como a modernidade produz dinâmicas de exclusão que, intensificadas pelas questões de gênero e pela condição socioeconômica, também incidem sobre a infância. Parte-se da hipótese de que a adultização não constitui um fenômeno isolado, mas resulta de heranças históricas de subordinação. Contudo, ao inscrever um gesto inesperado de ruptura, a narrativa aponta para a possibilidade de fissura nesse ciclo, permitindo uma leitura decolonial das dinâmicas que emergem no interior do conto.

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Biografia do Autor

Patricia de Sousa Silva, Universidade Estadual do Maranhão

Doutoranda em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual do Maranhão (PPGLetras/UEMA), na área de Teoria Literária, sob a orientação do Prof. Pós-Doutor Josenildo Campos Brussio (PPGDCS/CCSB/UFMA PPGLetras/UEMA). Mestre em Letras/Literatura pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), na área de concentração Linguagem, Cultura e Discurso. Especialista em Ensino de Literatura pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Graduada em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Atua como Diretora do Curso de Letras da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Campus Presidente Dutra, onde também desenvolve atividades docentes como professora externa do Programa Ensinar (UEMA). Professora efetiva da rede municipal de ensino de Pedreiras-MA, atuando na Educação Básica. Integra os grupos de pesquisa GEPEMADEC (Grupo de Estudos e Pesquisas em Meio Ambiente, Desenvolvimento e Cultura UFMA), LEI (Laboratório de Estudos do Imaginário UFMA) e Marginália Decolonial (registrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq).

Deyse Gabriely Machado Brito Cordeiro, Universidade Estadual do Maranhão

Doutoranda em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), sendo bolsista FAPEMA, na área de Teoria Literária, sob a orientação do Prof. Pós-Doutor Silvana Maria Pantoja dos Santos. Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Letras Bacabal (PGLB), da Universidade Federal do Maranhão (2023), e graduada em Letras Português pela mesma instituição (2021). Integra o grupo de pesquisa Marginalia, com foco em literaturas de minorias sob a perspectiva decolonial. Desenvolve pesquisas nos seguintes temas: literatura maranhense, decolonialidade e feminismo decolonial.

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Publicado

10-09-2026

Como Citar

DE SOUSA SILVA, Patricia; GABRIELY MACHADO BRITO CORDEIRO, Deyse. Entre violência herdada e ruptura: decolonialidade e infância em Longe de mim, de Lindevania Martins . Revista Letras Raras, Campina Grande, v. 15, n. 2, p. e7498, 2026. DOI: 10.5281/zenodo.22541940. Disponível em: https://revistas.editora.ufcg.edu.br/index.php/RLR/article/view/7498. Acesso em: 16 set. 2026.

Edição

Seção

n. 2 - 2026 - Dossiê: Gêneros, sexualidades e corporalidades diversas na literatura latino-americana

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