O poeta, o mundo e a criação em três poemas de Arthur Rimbaud
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.23874258Palavras-chave:
Dualismos, Rimbaud, poesia, modernidadeResumo
A obra do poeta francês Arthur Rimbaud, desde sua fase inicial, possui, como linha de força central, uma progressiva e acentuada superação de dualismos do pensamento ocidental, com destaque para as dicotomias sujeito/objeto, físico/abstrato e autobiografia/ficção. Trata-se de uma concepção de poesia nuclear para a escrita do poeta francês, não somente porque constitui uma hipótese de leitura para sua produção mas, sobretudo, porque desafia e tensiona a tradição lírica da modernidade ao romper com paradigmas de interpretação do texto poético. Nos poemas “Le dormeur du vale”, “Au Cabaret-Vert” e “Ma bohème”, Rimbaud une, por um lado, o sujeito lírico e a natureza, especificamente por meio de uma resposta corporal a estímulos exteriores; por outro, o corpo e o espírito, em que o meio físico torna-se via de acesso à imaginação e à fantasia; por último, a autobiografia e a ficção, mediante uma escrita imbuída de acontecimentos e fenômenos do contexto moderno e da própria vida do poeta, mesmo que convertidos e reelaborados pela ordem da significação. Esta leitura se dá à luz de Michel Collot (2018b), Pierre Brunel (1983), Maurício Vasconcelos (2000), entre outros.
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