António Nobre: entre a Solidão Essencial e a Solidão Povoada

Autores

Palavras-chave: Solidão povoada, Alteridade, Teoria Dialógica, Solidão Essencial, António Nobre

Resumo

DOI: https://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i3.1718

A solidão coloca-se diante do humano como um paradoxo. Ao passo que originária e constitutiva (Heiddeger) e, por isso, inescapável – para o ser humano – em sua sociabilidade, a solidão pode configurar-se como temível e que faz adoecer. Entre estes extremos encontra-se uma visão dual concebida nos conceitos de Solidão e Solitude (Tillich), parte negativa e positiva da solidão, respectivamente. Neste artigo, refletimos a questão da solidão a partir do farol da literatura. Em especial a obra Só de António Nobre, publicada no fim do século XIX. Auxiliada por Bakhtin, Blanchot, Volochínov e Rilke, uma leitura dialógica da obra nobreana demonstra que sua poética apresenta uma solidão, para além do aparente isolacionismo monástico, fundada na alteridade, na “relação com”. Essa subjetividade (criadora), constituída no diálogo com o outro, estabelece uma solidão povoada de dizeres, sujeitos e sentidos outros. O que contrapõe ou ressignifica a visão de uma solidão essencial na criação literária.

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Biografia do Autor

Moisés Carlos Amorim, Universidade Federal de Mato Grosso-UFMT

Doutorando em Literatura pela Universidade Federal de Mato Grosso-UFMT. Professor de Língua
Portuguesa na Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso – Seduc-MT.

Diego Pinto de Sousa, Universidade Estadual de Campinas-Unicamp

Doutorando em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas-Unicamp. Professor de Língua
Portuguesa na Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso – Seduc-MT

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Publicado em

26 de setembro de 2023

Como Citar

AMORIM, M. C. .; SOUSA, D. P. de . António Nobre: entre a Solidão Essencial e a Solidão Povoada. Revista Letras Raras, Campina Grande, v. 9, n. 3, p. Port. 192–214 /Eng. 191, 2023. Disponível em: https://revistas.editora.ufcg.edu.br/index.php/RLR/article/view/1213. Acesso em: 19 abr. 2024.

Seção

Artigos de temas livres