Relações de poder e crítica à modernidade em O som do rugido da onça, de Micheliny Verunschk: uma leitura à luz dos conceitos de interseccionalidade e colonialidade de gênero
DOI :
https://doi.org/10.5281/zenodo.22697890Mots-clés :
Relações de poder; Modernidade; Interseccionalidade; Colonialidade de gênero; Literatura brasileira.Résumé
Este artigo analisa, à luz dos debates sobre interseccionalidade e colonialidade do poder, do ser e de gênero, como as relações coloniais e suas permanências são representadas no romance O som do rugido da onça (2021), de Micheliny Verunschk. A partir da ficcionalização de um episódio histórico do século XIX, no qual crianças indígenas são retiradas de seu território e levadas à Europa, a narrativa desloca o olhar eurocêntrico e reinscreve a experiência colonial desde a perspectiva dos sujeitos subalternizados. Ao privilegiar o foco narrativo que acompanha Iñe-e, uma das crianças sequestradas, o romance evidencia a articulação entre violência colonial, racialização e hierarquização de gênero, expondo os fundamentos históricos dessas opressões. Argumenta-se que a obra produz uma outra história que tensiona a racionalidade moderna ao revelar a colonialidade como estrutura persistente, e não como evento superado. Ao articular criticamente os aportes da interseccionalidade e do pensamento decolonial, o estudo demonstra que a narrativa amplia o horizonte interpretativo das formas literárias contemporâneas ao evidenciar o entrecruzamento estrutural das opressões e seus efeitos sobre os corpos e subjetividades indígenas.
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