Entre modernidade e degeneração Oscar Wilde e Mário de Andrade na imprensa periódica brasileira
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.20262651Palabras clave:
Oscar Wilde, Mário de Andrade, Modernismo, Degeneração, HomossexualidadeResumen
Este artigo examina uma seleção de materiais a respeito de Oscar Wilde (1854-1900) e Mário de Andrade (1893-1945) publicados na imprensa periódica brasileira do início do século XX para mostrar como a cultura da época manifestava opiniões conflitantes a seu respeito—ora tomando-os como referências a novas concepções de modernidade, ora tomando-os como sintomas de um processo de degeneração cultural e moral supostamente intrínseco a essa modernidade. Esta investigação esclarece, mais especificamente, como Mário de Andrade, um dos principais nomes da Primeira Fase do Modernismo Brasileiro (1922-30), releu Oscar Wilde—sua pessoa e suas obras—segundo uma dupla estratégia criativa—em parte voltada a dar forma à sua sexualidade, em parte voltada a dar forma a uma literatura mais consistente com as transformações de uma nova república. Por fim, este artigo revela como, embora o Brasil tenha passado por um intenso processo de modernização no início do século XX, a ele não se seguiu um processo de modernização cultural, descompasso perceptível no fato de que a imprensa do período com frequência tomava esses escritores—em particular por conta de suas orientações sexuais—como armas discursivas e ideológicas e com frequência os sujeitava a uma série de violências simbólicas.
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