Entre contenção e transgressão: uma leitura sobre as experiências femininas no romance A Vida Invisível de Eurídice Gusmão (2016)
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22542795Palabras clave:
A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, Melodrama, Experiência Feminina, InvisibilidadeResumen
Este artigo analisa o romance A Vida Invisível de Eurídice Gusmão (2016), de Martha Batalha, buscando compreender como a experiência feminina é atravessada por dinâmicas de regulação, contenção e invisibilização. A partir de uma leitura orientada pelo gênero melodrama, o trabalho investiga como conflitos vividos no âmbito privado se relacionam a estruturas sociais mais amplas, especialmente no que diz respeito às normas de gênero, à sexualidade e às expectativas em torno do casamento e da maternidade. A análise das trajetórias de Eurídice e Guida evidencia dois modos distintos de experiência feminina. Enquanto Eurídice vivencia um processo gradual de adaptação e silenciamento, marcado pela contenção dos desejos e pela interiorização das normas sociais, Guida representa a transgressão dessas expectativas, sendo, por isso, submetida a processos de exclusão e precarização. Com base em contribuições dos Estudos de Gênero e dos Estudos Culturais, o artigo discute como o corpo feminino se configura como espaço de inscrição de práticas de controle e disciplinamento, evidenciando que a invisibilidade não se limita à ausência de reconhecimento, mas resulta de diferentes formas de regulação social.
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