ITINERÁRIOS INTERSECCIONAIS PARA O ENSINO DE LITERATURA
DESAFIOS E PERSPECTIVAS DECOLONIAIS E TRANSVIADAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA
Palavras-chave:
ensino de literatura, educação básica, infâncias dissidentes, decolonialidade, estudos transviadosResumo
Este artigo propõe uma abordagem crítica para o ensino de literatura na educação básica, articulando os debates de gênero, sexualidade e raça sob uma perspectiva interseccional (Collins; Bilge, 2020). Fundamentado em autoras e autores como Butler (2003, 2024), Bento (2017), Preciado (2019) e Street (1995), o estudo defende que a prática pedagógica literária não pode se afastar das discussões que atravessam os corpos e as subjetividades dissidentes (Amorim et al, 2022; Dias, 2023; Santiago, 2024). Ao reconhecer que a escola, muitas vezes, reproduz discursos normativos que silenciam infâncias negras, transviadas e fora do padrão, o artigo propõe caminhos para uma educação que enfrente tais opressões. A análise de obras como Ovelha Colorida (Portella, 2019), Julián é uma Sereia (Love, 2018) e Amoras (Emicida, 2018) revela como a literatura infantojuvenil pode abrir espaço para a expressão da diferença e experiências marginalizadas pelo status quo. Ao visibilizar infâncias em dissidência e racializadas, a proposta aqui defendida busca desconstruir lógicas excludentes, valorizando literaturas decoloniais e transviadas. Assim, o ensino de literatura torna-se um campo de disputa política e sensível, capaz de contribuir para práticas pedagógicas inclusivas, que respeitem a diversidade e rompam com a manutenção das violências simbólicas que atravessam a infância.
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