DOS AMORES QUE NÃO OUSAM DIZER O NOME:
PROPOSTA DE ROTEIRO DE AULA COM AGRESTE (MALVA-ROSA), DE NEWTON MORENO
Palavras-chave:
Literatura e ensino., Escola e diversidade., Texto dramático., Letramento literário.Resumo
O drama Agreste (Malva-rosa), de Moreno (2004), apresenta a relação entre Etevaldo e Maria, que possuem a sua peripécia quando o primeiro morre e a vizinhança lhe associam ao “ser mulher” ao perceberem a ausência do órgão genital masculino em seu corpo, incinerando o casal. Geralmente, as temáticas apresentadas nessa obra não são trabalhadas na escola, muitas vezes influenciada pelo contexto LGBTQIAPN+fóbico, que acaba desconsiderando a diversidade nos afetos. Assim, entendemos a necessidade de desafiar essa estrutura no contexto escolar, sobretudo pela predominância de literaturas que somente mostram o amor entre pessoas cisgênero. Portanto, objetivamos apresentar um roteiro de aula elaborado com Agreste (Malva-rosa), para promover debates sobre o amor, gênero e diversidade sexual, incentivando a criticidade e o respeito ao longo das aulas. Teoricamente, fundamentamo-nos em Cosson, acerca do letramento literário; Oliveira, Silva e Pinheiro, além de Pascolati, sobre o trabalho com o texto dramático; Dalcastagnè, quanto à literatura contemporânea; Sedgwick, no tocante à sexualidade pública e privada, e outras teorias. Sob o exposto, notamos que este trabalho viabiliza a inserção de um drama que problematiza as rigidezes afetivas e sexuais para a existência do amor, pondo em cena, na sala de aula, um debate decolonial.
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