O QUE HÁ ATRÁS DO MURO
PODER, FÉ E MERCADO NO CÁRCERE MATO-GROSSENSE
DOI:
https://doi.org/10.35572/arql.v3i11.6476Palavras-chave:
prisão, territorialidade, poder, cotidiano, espaço prisionalResumo
Este artigo investiga o cotidiano do Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC), analisando como o espaço prisional é construído, disputado e vivido por seus diferentes sujeitos. A partir de uma perspectiva da Geografia Crítica e do materialismo histórico-dialético, o estudo propõe uma leitura do cárcere como território social marcado por hierarquias, exclusões e estratégias de sobrevivência. O trabalho baseia-se em observação participante e entrevistas realizadas entre 2010 e 2014. Mostra-se como a ausência do Estado é preenchida por instituições religiosas, economias paralelas e redes informais de poder, revelando que a prisão é menos um espaço de ressocialização e mais um reflexo ampliado das desigualdades sociais brasileiras. O artigo defende que, por trás dos muros, há humanidade: rotinas, afetos e resistências que desafiam a lógica do esquecimento e da contenção.
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