HIERARQUIAS ESPACIAIS E TRABALHO DOMÉSTICO NA HABITAÇÃO BRASILEIRA
PERMANÊNCIAS DA CASA-GRANDE AO APARTAMENTO MODERNO
DOI:
https://doi.org/10.35572/arql.v4i13.7255Palavras-chave:
hierarquias espaciais, habitação brasileira, trabalho doméstico, setorização doméstica, apartamentoResumo
A habitação brasileira apresenta continuidades marcantes na organização espacial, da casa-grande colonial ao apartamento contemporâneo. Este artigo examina as hierarquias espaciais que estruturam a moradia no Brasil, analisando permanências e transformações ao longo de cinco séculos. Por meio de análise histórico-tipológica apoiada em revisão bibliográfica crítica, argumentamos que a setorização tripartida em áreas social, íntima e de serviço materializa estruturas de longa duração vinculadas ao trabalho doméstico, classe, gênero e raça. A casa-grande estabeleceu a matriz organizacional reproduzida no sobrado urbano oitocentista e consolidada no apartamento do Movimento Moderno, perpetuando a segregação de funções e pessoas. Transformações recentes, intensificadas após a década de 1990 e aceleradas pela pandemia de Covid-19, indicam possibilidades de ruptura com esse modelo. Concluímos que alterações efetivas nas espacialidades domésticas dependem de transformações sociais amplas, não apenas de decisões projetuais individuais.
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