AI Usage Policies

Política de Uso de Inteligência Artificial (IA)

A Revista Letras Raras reconhece que ferramentas de Inteligência Artificial (IA), especialmente sistemas de IA generativa, vêm impactando práticas de pesquisa, escrita, tradução e comunicação científica. Considerando os desafios éticos, autorais e metodológicos decorrentes dessas tecnologias, a revista estabelece as presentes diretrizes, com o objetivo de promover o uso responsável, transparente e eticamente orientado de recursos de IA no processo de produção, avaliação e editoração científica.

Esta política fundamenta-se nos princípios da integridade científica, da honestidade intelectual, da transparência, da responsabilidade autoral e do respeito às boas práticas acadêmicas, em consonância com recomendações de instituições científicas e editoriais nacionais e internacionais.

Princípios gerais

O uso de ferramentas de IA deve observar os princípios éticos que regem a pesquisa e a publicação científica. Portanto, ferramentas de Inteligência Artificial não possuem responsabilidade intelectual, ética ou legal sobre conteúdos científicos e, portanto, não podem ser reconhecidas como autoras ou coautoras de manuscritos.

Autores, pareceristas e editores permanecem integralmente responsáveis pelos conteúdos produzidos, avaliados ou publicados com auxílio de ferramentas de IA.

A utilização de IA não pode substituir a elaboração intelectual humana, a autoria científica, o pensamento crítico, a interpretação analítica ou a responsabilidade acadêmica.

USO DE IA POR AUTORES

Usos permitidos:

É permitido o uso de ferramentas de IA como recurso assistivo, desde que haja supervisão humana, revisão crítica e transparência quanto à sua utilização.

Entre os usos permitidos, incluem-se:

  • revisão ortográfica, gramatical e estilística;
  • aprimoramento da clareza e da legibilidade textual;
  • tradução e pós-edição de tradução automática;
  • organização preliminar de ideias ou estrutura textual;
  • transcrição de entrevistas, áudios ou materiais orais;
  • auxílio técnico na formatação e normalização do manuscrito;
  • apoio à programação, visualização ou organização de dados.

Usos não permitidos:

Não é permitido o uso de IA para:

  • gerar integralmente manuscritos científicos;
  • produzir análises, interpretações teóricas ou conclusões sem efetiva elaboração intelectual dos autores;
  • fabricar, manipular ou falsificar dados de pesquisa;
  • criar referências bibliográficas inexistentes ou não verificadas;
  • mascarar autoria humana;
  • gerar pareceres científicos fictícios;
  • produzir imagens, tabelas, gráficos ou documentos falsificados;
  • substituir procedimentos metodológicos ou analíticos próprios da pesquisa científica.

É vedada a apresentação de conteúdo gerado substancialmente por ferramentas de IA como se fosse resultado exclusivo de elaboração intelectual humana, sem a devida declaração de uso dessas tecnologias.

Transparência e declaração obrigatória

Todo uso de ferramentas de IA deverá ser explicitamente informado no artigo, na tabela CrediT, em espaço específico, além de também dever ser informado na declaração de uso de IA (verificar o modelo disponibilizado pela RLR na página de normas). Caso o uso de IA tenha sido para o tratamento e/ou coleta de dados analisados no manuscrito, será imperativo também declarar o uso na seção que trate da metodologia do trabalho.

Deve-se indicar, portanto:

  • nome da ferramenta utilizada;
  • versão ou modelo empregado;
  • finalidade do uso;
  • seção(ões) do manuscrito em que a ferramenta foi utilizada.

Responsabilidade dos autores

Os autores são integralmente responsáveis:

  • pela originalidade do manuscrito;
  • pela autenticidade das referências citadas;
  • pela veracidade dos dados apresentados;
  • pela revisão crítica de qualquer conteúdo produzido com auxílio de IA;
  • pela adequação ética e metodológica do trabalho submetido.

Os autores devem verificar cuidadosamente informações, referências, citações e dados produzidos ou sugeridos por ferramentas de IA, considerando a possibilidade de imprecisões, vieses algorítmicos, referências inexistentes ou conteúdos inadequados.

O uso de IA não exime os autores de responsabilidade ética, acadêmica ou legal sobre o manuscrito submetido.

Uso de IA, tradução e escrita multilíngue

Considerando a natureza multilíngue e interdisciplinar da Revista Letras Raras, admite-se o uso de ferramentas de IA para apoio à tradução e revisão linguística em diferentes idiomas, desde que os autores assegurem a revisão humana qualificada do texto final.

Os autores devem assegurar que o uso de IA em processos tradutórios não comprometa:

  • a precisão conceitual;
  • a fidelidade terminológica;
  • a autoria intelectual;
  • as especificidades estilísticas do texto acadêmico;
  • os aspectos culturais e discursivos envolvidos na escrita científica.

Uso de IA por pareceristas

Pareceristas não devem inserir manuscritos inéditos, arquivos, imagens, dados ou quaisquer conteúdos confidenciais em plataformas de IA generativa, evitando riscos relacionados à confidencialidade, proteção de dados e propriedade intelectual.

O uso de IA poderá ocorrer apenas de forma limitada para:

  • revisão linguística do parecer;
  • aprimoramento da clareza textual dos comentários elaborados pelo próprio parecerista.

A avaliação científica, crítica e ética do manuscrito deve ser realizada exclusivamente pelo parecerista humano, que permanece integralmente responsável pelo parecer emitido.

Caso o parecerista identifique possível uso indevido ou não declarado de IA no manuscrito, deverá comunicar à equipe editorial.

Uso de IA por editores

Editores da revista não devem compartilhar manuscritos inéditos ou materiais confidenciais em ferramentas de IA.

Recursos de IA poderão ser utilizados apenas como apoio técnico ou administrativo, incluindo:

  • verificação preliminar de similaridade textual;
  • apoio à normalização editorial;
  • organização de fluxos editoriais;
  • assistência técnica não decisória.

As decisões editoriais relativas à aprovação, rejeição ou solicitação de reformulações dos manuscritos serão sempre tomadas por editores humanos, com base em critérios científicos, éticos e editoriais.

Integridade científica e uso indevido

A omissão do uso de ferramentas de IA ou sua utilização inadequada poderá configurar violação das normas de integridade científica e ética editorial.

Entre as situações passíveis de análise editorial, incluem-se:

  • uso não declarado de IA;
  • fabricação ou falsificação de dados;
  • referências inexistentes;
  • mascaramento de autoria;
  • submissão de conteúdo gerado artificialmente sem revisão humana adequada;
  • práticas que comprometam a confiabilidade científica do manuscrito.

Nesses casos, a revista poderá adotar medidas editoriais compatíveis com a gravidade da situação, incluindo:

  • solicitação de esclarecimentos;
  • exigência de correções;
  • rejeição do manuscrito;
  • retratação de artigo publicado;
  • comunicação às instituições envolvidas, quando necessário.
  • exclusão do manuscrito publicado, quando necessário.

Atualização da política

Considerando o desenvolvimento contínuo das tecnologias de Inteligência Artificial, esta política poderá ser revisada e atualizada periodicamente pela equipe editorial da revista.

Referências e documentos orientadores

Esta política foi elaborada com base em recomendações e diretrizes nacionais e internacionais relacionadas à integridade científica, ética em pesquisa e uso de Inteligência Artificial na comunicação científica, incluindo documentos de instituições e organismos científicos como: