A tradução como política linguística na colonização da Amazônia brasileira

Autores

  • Dennys Silva-Reis Universidade de Brasília
  • Marcos Bagno Universidade de São Paulo (USP)
Palavras-chave: Amazônia, Língua geral, Intérpretes, Política linguística colonial

Resumo

DOI: https://dx.doi.org/10.35572/rlr.v7i2.1126

A diversidade linguística das futuras colônias portuguesas na América do Sul era notável. Segundo especialistas, havia mais de 1.200 línguas indígenas presentes no território do que seria o Brasil no momento do desembarque dos portugueses. Dessas, mais de metade (cerca de 700) seriam faladas na Amazônia, línguas pertencentes a diversas famílias linguísticas não aparentadas. A grande quantidade de línguas diferentes constituía um pesado obstáculo para a conversão dos povos nativos e também para a ocupação e colonização concreta do território pela Coroa portuguesa, também interessada na escravização da força de trabalho indígena. O impasse se resolveu com a adoção de uma língua – o tupinambá – falada num trecho da costa do Pará, próximo à foz do rio Amazonas, a qual se tornou o que veio a se designar como língua geral. O mesmo processo ocorreu na parte sul da América portuguesa, onde emergiu outra língua geral. Durante o período colonial, portanto, houve duas línguas gerais: a língua geral amazônica e a língua geral paulista. Antes que essas línguas gerais se estabelecessem, a tradução e a interpretação tiveram um papel crucial na conquista dos amplos territórios, onde a língua portuguesa era usada apenas por uma pequena minoria, essencialmente europeus e seus descendentes, situação que permaneceu até as primeiras décadas do século XIX.

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Biografia do Autor

Dennys Silva-Reis, Universidade de Brasília

Doutorando em Literatura no Programa de Pós-Graduação em Literatura na Universidade de Brasília
(POSLIT/UnB), Brasília/DF. Mestre em Estudos da Tradução na mesma universidade pelo Postrad (PósGraduação em Estudos da Tradução). Bacharel em Letras-Tradução e Licenciado em Língua e Literatura Francesas. Assina o blog Historiografia da Tradução no Brasil (http://historiografiadatraducaobr.blogspot.com.br).

Marcos Bagno, Universidade de São Paulo (USP)

Doutor em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), Professor Adjunto do
Instituto de Letras, Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução da Universidade de Brasília (UnB,
Brasília/DF). Colaborador do Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem da Universidade
Federal Fluminense (UFF, Niterói/RJ).

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Publicado em

14 de outubro de 2023

Como Citar

SILVA-REIS, D.; BAGNO, M. . A tradução como política linguística na colonização da Amazônia brasileira. Revista Letras Raras, Campina Grande, v. 7, n. 2, p. 8–28, 2023. Disponível em: https://revistas.editora.ufcg.edu.br/index.php/RLR/article/view/1530. Acesso em: 13 abr. 2024.

Seção

A tradução e suas linguagens