CASA DO GOVERNADOR

MEMÓRIAS EM RUÍNAS NO LITORAL SUL PERNAMBUCANO

Autores

  • Lucas Igor Gomes de Andrade Graduado em História, UFRPE, Recife, PE, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.35572/arql.v4i14.6745

Palavras-chave:

memória, modernismo, litoral, patrimônio

Resumo

Este ensaio fotográfico pretende documentar uma edificação que já foi. Na linha entre o abandono e a especulação, a casa do governador, no município pernambucano de Ipojuca, atravessa o tempo desde os primeiros loteamentos até a atual explosão imobiliária em curso no distrito. 

Selvagem, bucólica, paradisíaca e sem sinais de corrida imobiliária: assim era a praia de Porto de Galinhas noticiada no Diário de Pernambuco em 1974. Apesar do difícil acesso e a falta de hotéis, a então vila de jangadeiros foi crescentemente desejada e visitada por turistas buscando lazer e descanso na praia. Devido à isto, começam a ser loteados terrenos à venda e anunciados nos classificados de jornais, como o Loteamento Merepe, que prometia a integração perfeita entre a natureza e moradia.   

É neste contexto que o governador Moura Cavalcanti ergue, em 1977, a Casa Oficial de Veraneio do Governo do Estado, em área adquirida desde a década de 1950 (Anjos, 2005), à beira-mar e cercada por um cinturão de coqueiros, apesar das críticas da oposição, que acusava desnecessária a construção de um palácio na praia, de “beleza digna de magnatas do petróleo” (Diário de Pernambuco, 1977). A edificação tornou-se uma marca da arquitetura moderna tropical na região litorânea, se adaptando ao clima local com a presença robusta de elementos como brise-soleil, pergolados e concreto armado com tijolos maciços expostos. A casa do governador trouxe conforto aos seus moradores, com varandas de ventilação cruzada, e elementos que proporcionaram iluminação natural o dia inteiro, como o átrio de abertura zenital no hall central, além do telhado de múltiplas águas. 

Durante anos a casa do governador foi ocupada em momentos de lazer dos chefes do executivo de Pernambuco, sendo Miguel Arraes o último a ocupá-la, até 1990, ficando sem uso nas décadas seguintes. Com isso, a deterioração tomou conta do espaço e o terreno foi licitado em 2006 por uma empresa portuguesa para construção de empreendimentos de alto padrão que não saíram do papel. 

As ruínas da casa do governador contrastam com o crescimento urbano desenfreado da cidade e sua gentrificação, com o aumento de prédios e resorts em toda a região. Documentar a importância arquitetônica da casa do governador é também abrir uma discussão para seu potencial histórico patrimonial, e a sua revitalização integre-se ao meio ambiente, além de resgatar memórias da comunidade local.

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Referências

ANO: 1977

AUTOR: desconhecido, coordenado por Moura Cavalcanti.

TIPOLOGIA: Residencial.

LOCALIZAÇÃO: Ipojuca - PE.

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Publicado

10-07-2026

Como Citar

ANDRADE, Lucas Igor Gomes de. CASA DO GOVERNADOR: MEMÓRIAS EM RUÍNAS NO LITORAL SUL PERNAMBUCANO. Revista Arquitetura e Lugar, Campina Grande, v. 4, n. 14, p. 149–162, 2026. DOI: 10.35572/arql.v4i14.6745. Disponível em: https://revistas.editora.ufcg.edu.br/index.php/arql/article/view/6745. Acesso em: 10 jul. 2026.

Edição

Seção

Ensaios fotográficos

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