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Resumo

A pergunta pelo que faz da história um saber específico e, ao mesmo tempo, um espaço aberto de disputa atravessa os debates contemporâneos em Teoria da História e História da Historiografia. Não se trata apenas de discutir técnicas, métodos ou procedimentos de pesquisa, mas de interrogar o próprio lugar social da disciplina, suas promessas e seus fracassos, suas cumplicidades com projetos de poder e suas possibilidades de crítica. A teoria e a história da historiografia deixam de ser zonas periféricas para se converter em laboratórios privilegiados de reflexão sobre tempo, linguagem, memória e imaginação histórica. É nesse horizonte que se inscreve o dossiê “Horizontes do Fazer Historiográfico: Debates Contemporâneos em Teoria da História e História da Historiografia”, propondo que se tome o ofício do historiador não como uma tradição estabilizada, mas como um campo em aberto, permanentemente tensionado por novas experiências do passado e por novas sensibilidades políticas e epistêmicas.

Se as grandes narrativas sobre a modernidade costumavam supor uma temporalidade linear, cumulativa e progressiva, os debates contemporâneos em Teoria da História têm insistido na necessidade de deslocar esse regime de historicidade. Crises ecológicas e humanitárias, violências coloniais não reparadas, políticas de extermínio e formas renovadas de autoritarismo desafiam a imagem de um tempo que se deixaria ordenar por noções de avanço, superação ou maturidade histórica. A reflexão teórica volta a indagar as categorias que estruturaram a disciplina, como causalidade, objetividade e evidência, mas o faz a partir de uma consciência aguda de que não existe observação neutra do passado. Todo gesto historiográfico está atravessado por relações de poder, por localizações sociais e por linguagens que organizam o visível e o dizível. A teoria se torna, assim, um exercício de vigilância sobre os próprios instrumentos de conhecimento, uma forma de crítica à naturalização das convenções disciplinares e das fronteiras que separam o que conta como história do que é relegado à condição de não saber.

Biografia do Autor

FÁBIO FRANCISCO FELTRIN DE SOUZA, Universidade Federal do Pará – UFPR

Graduação em História pela Universidade do Estado de Santa Catarina (2003), mestrado (2005) e doutorado (2011) em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Professor associado do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná.

RICARDO MACHADO, Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS

Graduação em História pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (2003), Mestrado (2006) e Doutorado (2016) em História pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Professor do PPGICH - Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas e de Teoria da História no curso de Licenciatura em História na Universidade Federal da Fronteira Sul. 

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Publicado

11-04-2026