1’50’’ BAJO LAS RUINAS, RECUERDOS

LA DEMOLICIÓN DEL HOTEL INTERNACIONAL DOS REIS MAGOS

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.35572/arql.v4i15.7693

Palabras clave:

Série fotográfica, Cotidiano, Patrimônio arquitetônico, Modernismo brasileiro, Hotel Internacional dos Reis Magos

Resumen

De que material são feitas as nossas memórias? Basta um olhar ao redor para compreender que a arquitetura é nossa grande testemunha através do tempo, arte da qual não podemos escapar. É o sentimento que nos toma ao andar pelas ruas enquanto estabelecemos uma relação (in)consciente com as nossas edificações, e de súbito, acessar toda história impressa nos espaços. Uma edificação é uma guardiã viva de nós mesmos, portal para nossa identidade.

Caminhando contra todo esse entendimento, nos furtando essa possibilidade de prédio-memória, e sobretudo pecando no bom senso em busca de uma Natal que privilegia uma minoria, um dos principais ícones da arquitetura moderna potiguar suspirou pela última vez em janeiro de 2020. O Hotel Internacional dos Reis Magos teve uma história memorável de quem vivenciou a cidade de Natal nas décadas de 1970 e 1980. A edificação que hospedou artistas como Pelé e políticos como Juscelino Kubitschek, acolheu a juventude da época na Boate Royal Salute, e impressionava a todos com um dos seus moradores mais exóticos, a onça Charlie(!) - agora se encontra em pedaços estilhaçados, como se fosse uma estrutura qualquer de concreto. Além de ter sido o primeiro empreendimento de cunho turístico a ocupar terrenos lindeiros a Praia do Meio, a edificação foi responsável por grandes transformações urbanas na região, que até então não tinha iluminação pública e acesso ao Forte dos Reis Magos, principal atração turística da época.      

A sua demolição levou duros vinte dias, contrariando laudos técnicos que até então presumia que a estrutura já estava em ruinas, e por isso inadequada a revitalização. Depois do antigo Machadão, e tantas outras edificações que foram extintas da história potiguar, a demolição do Hotel Internacional dos Reis Magos se apresenta como desrespeito à população local, que assistiu à mingua suas memorias sendo levadas abaixo. Agora, somente em fotos, teremos a lembrança desses grandes edifícios, que nos apresentam um passado que já́ não podemos acessar e um alguém que já fomos.

A série fotográfica foi construída a partir de um mesmo ponto de observação, com registros realizados ao longo dos vinte dias de demolição do Hotel Internacional dos Reis Magos. Essa escolha apresenta as transformações da edificação até seu desaparecimento. O uso do preto e branco contribui para construir uma narrativa visual que remete às lembranças e ao apagamento de um patrimônio que já não existe.

A relevância das discussões evidenciadas pela série fotográfica sobre o Hotel contribuiu para sua integração a um projeto maior, Entre Lugares, composto também pela série Pilares Vivos, da mesma autora, e para sua participação na programação da 21ª Semana Nacional de Museus, realizada na Pinacoteca Potiguar em Natal, entre os dias 15 e 21 de maio de 2023. Nessa exibição, a série adquiriu uma dimensão tridimensional e sensorial, ao incorporar ruínas e entulhos à composição fotográfica, reconstruindo a paisagem resultante da demolição do Hotel. Aliado a isso, a história desse ícone da arquitetura modernista de Natal é contada através de um áudio de 1 minuto e 50 segundos, composto por ruídos que acompanham sua trajetória, desde o período de apogeu até sua demolição.

Palavras-chave: Série fotográfica; Cotidiano; Patrimônio arquitetônico; Modernismo brasileiro; Hotel Internacional dos Reis Magos.

 

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Citas

Como citar: BEZERRA, Jéssica. 1’50” Sob ruínas, memórias: a demolição do Hotel Internacional dos Reis Magos.

Revista Arquitetura e Lugar, Campina Grande, v. 4, n. 15, 2026

Publicado

2026-09-28

Cómo citar

BEZERRA, Jéssica. 1’50’’ BAJO LAS RUINAS, RECUERDOS: LA DEMOLICIÓN DEL HOTEL INTERNACIONAL DOS REIS MAGOS. Revista Arquitectura y Lugar, Campina Grande, v. 4, n. 15, p. 152–159, 2026. DOI: 10.35572/arql.v4i15.7693. Disponível em: https://revistas.editora.ufcg.edu.br/index.php/arql/article/view/7693. Acesso em: 1 oct. 2026.

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