O ABUSO SEXUAL NA VIDA DE MULHERES UNIVERSITÁRIAS: PASSADO E PRESENTE SE MISTURAM
Palavras-chave:
abuso sexual, gênero feminino, universidadeResumo
Introdução: O abuso sexual é uma problemática recorrente na saúde pública, sendo o gênero feminino a principal vítima desse ato. Praticado na maioria das vezes por uma figura masculina, que pode ser conhecido ou não, e em ambientes que são considerados seguros. A mulher é silenciada socialmente e psicologicamente, pois historicamente a culpa recai sobre ela e o abusador sai impune. Objetivo: Investigar a ocorrência do abuso sexual e os impactos em universitárias dos cursos de enfermagem e medicina. Metodologia: Estudo transversal, descritivo e abordagem quantitativa. Amostra inicial de 124 acadêmicas de enfermagem e 116 de medicina, calculadas pela calculadora on-line Open Epi. Dados coletados em formulário próprio e analisados pelo programa SPSS 20.0, com proporção, média, desvio padrão e teste Qui-Quadrado. Foram incluídos estudantes do 2° ao 8° período dos respectivos cursos. Estudo aprovado no CEP - 6.514.865. Resultados e Discussão: Foram respondidos 178 questionários. 83,7% se autodeclarou de cor/raça branca, 99,7% sabia o que é o abuso sexual e 78,1% conhecia alguém que já havia sofrido a violação, e 97,7% que este não se limita apenas ao ato carnal. 35,4% relataram ter sofrido o abuso sexual ainda na infância, com idade média de 12,26 (DP=4,372). 31,5% silênciou após a violência e apenas 3,9% contou aos pais. 16,3% não teve suporte, 3,9% teve apoio familiar, 2,2 % de amigos 1,7% de profissional. Ressalta-se que nenhum caso foi denunciado às autoridades legais e que 6,2% das vítimas mantêm contato com o ofensor. O agressor estava entre convívio familiar e desconhecido, onde 14% foi cometido por amigo da família , 5,1% familiar, 2,8% professor, 1,1% outros, 0,6% pai e padrasto. Os ambientes foram 31,7% na rua, 27,0% residência, 23,8% festa, 14,3% escola e 28,6% outros. A violência sexual impacta negativamente na vítima causando em 95,2% desconforto, 60,3% vergonha, 54,0% medo, 36,4% culpa e 20,6% outros. Considerações finais: Este é um tema carregado de repressões e pouco discutida nos ambientes familiares, não abrindo espaço e silenciando a vítima, que se torna vulnerável a sofrer novo evento. O sofrimento silenciado se torna causa de transtornos psicológicos e baixo rendimento acadêmico, pois a vítima não se sente segura no ambiente universitário.
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