ECOS DA DOR: ANGÚSTIAS E DESAFIOS NA ESCUTA PSICOLÓGICA DE VIOLÊNCIAS

Autores/as

  • Fernanda Gomes de Andrade Farias

Palabras clave:

escuta, violência, angústia

Resumen

Introdução: A atuação do psicólogo é atravessada por uma complexa rede de desafios, sobretudo  quando se trata da escuta de relatos de violência. Ao acolher histórias marcadas por dor e sofrimento, a  escuta empática pode levar o cuidador a experimentar angústia diante dos dilemas que emergem na sala  de atendimento. Objetivo: Neste trabalho, buscou-se levantar reflexões sobre a escuta psicológica de  situações de violência e como estas histórias podem impactar no bem-estar e na saúde mental dos  profissionais. Metodologia: Traz-se aqui um texto baseado na experiência e na percepção da autora,  vivenciados ao longo de mais de vinte anos de atuação, nos quais se acolheu vítimas de violência física,  psicológica, sexual, de gênero e tantas outras que perpassam a vivência social. Resultados e Discussão: É perceptível que a angústia é intensificada quando o conteúdo narrado pelo paciente desperta  ressonâncias pessoais ou toca em feridas sociais. As histórias partilhadas descrevem detalhes sobre as  situações de violência, que por vezes abarcam a própria experiência de vida ou os valores do  profissional, gerando reflexões profundas e nem sempre positivas acerca do que significa existir no  mundo. Outro ponto de crise diz respeito à decisão do paciente sobre denunciar ou não as violências  sofridas. A fronteira entre respeitar a autonomia do outro e zelar por sua integridade pode ser bastante  tênue. Se, por um lado, o psicólogo sabe da importância de estimular o fortalecimento do sujeito para  que ele mesmo escolha como agir, por outro, pode se sentir pressionado pela urgência de romper o ciclo  de violência. Considerações Finais: Escutar uma vítima de violência não é apenas acompanhar um  relato, mas também encarar ecos internos que podem suscitar sentimentos de impotência ou tristeza.  Essa sobreposição entre a vivência do paciente e as marcas do psicólogo torna o trabalho delicado,  exigindo constante autorreflexão e elaboração pessoal. As tensões geradas pela condição humana do  acolher não possuem respostas simples e colocam o profissional em conflito, em que o medo de  incentivar uma denúncia se mistura ao receio de se omitir diante de uma injustiça. O psicólogo que  enfrenta cotidianamente as dores do outro também precisa lidar com sua própria construção. Embora  seja gratificante acompanhar a evolução pessoal de alguém, auxiliar pessoas a mastigar seus traumas  para que elas possam futuramente digeri-los, pode ter um sabor bastante amargo na perspectiva de quem  cuida. É lindo, mas emocionalmente desafiador. 

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Publicado

2026-02-25

Cómo citar

FERNANDA GOMES DE ANDRADE FARIAS. ECOS DA DOR: ANGÚSTIAS E DESAFIOS NA ESCUTA PSICOLÓGICA DE VIOLÊNCIAS . Revista Brasileira Interdisciplinar em Saúde, Ambiente e Sociedade, Campina Grande, v. 8, n. 10, 2026. Disponível em: https://revistas.editora.ufcg.edu.br/index.php/rebisas/article/view/7393. Acesso em: 11 mar. 2026.

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