O USO COMPULSÓRIO DA LAQUEADURA COMO FERRAMENTA DE DOCILIZAÇÃO DE CORPOS E DE VIOLÊNCIA DE ESTADO SOBRE POPULAÇÃO VULNERÁVEL

Autores/as

  • Amanda Vitória Silva de Lima
  • Juliane Dominoni Gomes de Oliveira

Palabras clave:

laqueadura, violência, docilização

Resumen

Introdução: A narrativa mercantilista do sistema capitalista neoliberal revitimiza corpos fragilizados  e perpetua a luta de classes vulneráveis. Paralelamente, o Estado produz corpos dóceis por meio de  uma metodologia disciplinar aplicada por aparelhos de repressão, tornando-os úteis e maleáveis à  dominação social e política. Esse ecossistema é alimentado por mecanismos que produzem violências  sutis disfarçadas de cuidado legítimo. A partir da observação no Estágio de Psicologia Básico I,  percebeu-se um dilema ético velado, gerido por um consenso coletivo, visível em discursos de  profissionais e engrenagens sutis e perversas dentro da rede de cuidado, que não dialoga entre si.  Processos de normatização e normalização abrem margem para o controle disciplinar desses corpos,  padronizando a conduta e marginalizando os desviantes, como a população de rua, invisibilizada e  excluída pelo sistema, tratada até mesmo como indigna de ser usufruto dele, a medida em que o  Estado se sustenta a partir de uma ideologia hegemônica. Nessa lógica, a laqueadura é apresentada  como intervenção de bem-estar social e de saúde pública, mas funciona como uma ferramenta  violenta para o controle de corpos “indesejáveis” na sociedade mercantilista, assim, a naturalização  do procedimento, observada durante o Estágio, ignora a autonomia dos sujeitos. De maneira análoga,  a naturalização do procedimento, observada durante o estágio, ignora a autonomia dos sujeitos e,  inclusive, promove a laqueadura como “moeda de garantia” da reintegração familiar de mães que  têm filhos em acolhimento institucional, conduta essa aparentemente comum e promovida como fator  higienista. Objetivo: Refletir sobre as práticas observadas durante o Estágio que evidenciam essa  violência de Estado contra populações vulneráveis através de sensibilização. Metodologia: Trata-se  de um relato de experiência, baseado em observação participante, registros pessoais de “diário de  campo” e vivências durante o Estágio. Ademais, vale ressaltar que não houve intervenção  experimental, apenas análise reflexiva. Resultados e Discussão: As observações revelam uma  naturalização do uso compulsório da laqueadura como solução dentro de contextos vulneráveis,  inclusive sendo apresentada como condição para reintegração familiar, de modo a ignorar a  autonomia das mulheres e reproduzir uma violência institucional velada e perversa. Conclusão:  Infere-se que o relato evidencia como o procedimento parece se inserir em uma lógica de controle e  exclusão que normaliza a violência contra corpos vulneráveis. Logo, justifica-se a realização de  pesquisa mais aprofundada sobre a temática, ressaltando a urgência de desnaturalizar essas práticas  e refletir sobre as estruturas que as sustentam e legitimam. 

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Publicado

2026-02-25

Cómo citar

AMANDA VITÓRIA SILVA DE LIMA; JULIANE DOMINONI GOMES DE OLIVEIRA. O USO COMPULSÓRIO DA LAQUEADURA COMO FERRAMENTA DE DOCILIZAÇÃO DE CORPOS E DE VIOLÊNCIA DE ESTADO SOBRE POPULAÇÃO VULNERÁVEL. Revista Brasileira Interdisciplinar em Saúde, Ambiente e Sociedade, Campina Grande, v. 8, n. 10, 2026. Disponível em: https://revistas.editora.ufcg.edu.br/index.php/rebisas/article/view/7402. Acesso em: 11 mar. 2026.

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