O USO COMPULSÓRIO DA LAQUEADURA COMO FERRAMENTA DE DOCILIZAÇÃO DE CORPOS E DE VIOLÊNCIA DE ESTADO SOBRE POPULAÇÃO VULNERÁVEL
Palabras clave:
laqueadura, violência, docilizaçãoResumen
Introdução: A narrativa mercantilista do sistema capitalista neoliberal revitimiza corpos fragilizados e perpetua a luta de classes vulneráveis. Paralelamente, o Estado produz corpos dóceis por meio de uma metodologia disciplinar aplicada por aparelhos de repressão, tornando-os úteis e maleáveis à dominação social e política. Esse ecossistema é alimentado por mecanismos que produzem violências sutis disfarçadas de cuidado legítimo. A partir da observação no Estágio de Psicologia Básico I, percebeu-se um dilema ético velado, gerido por um consenso coletivo, visível em discursos de profissionais e engrenagens sutis e perversas dentro da rede de cuidado, que não dialoga entre si. Processos de normatização e normalização abrem margem para o controle disciplinar desses corpos, padronizando a conduta e marginalizando os desviantes, como a população de rua, invisibilizada e excluída pelo sistema, tratada até mesmo como indigna de ser usufruto dele, a medida em que o Estado se sustenta a partir de uma ideologia hegemônica. Nessa lógica, a laqueadura é apresentada como intervenção de bem-estar social e de saúde pública, mas funciona como uma ferramenta violenta para o controle de corpos “indesejáveis” na sociedade mercantilista, assim, a naturalização do procedimento, observada durante o Estágio, ignora a autonomia dos sujeitos. De maneira análoga, a naturalização do procedimento, observada durante o estágio, ignora a autonomia dos sujeitos e, inclusive, promove a laqueadura como “moeda de garantia” da reintegração familiar de mães que têm filhos em acolhimento institucional, conduta essa aparentemente comum e promovida como fator higienista. Objetivo: Refletir sobre as práticas observadas durante o Estágio que evidenciam essa violência de Estado contra populações vulneráveis através de sensibilização. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência, baseado em observação participante, registros pessoais de “diário de campo” e vivências durante o Estágio. Ademais, vale ressaltar que não houve intervenção experimental, apenas análise reflexiva. Resultados e Discussão: As observações revelam uma naturalização do uso compulsório da laqueadura como solução dentro de contextos vulneráveis, inclusive sendo apresentada como condição para reintegração familiar, de modo a ignorar a autonomia das mulheres e reproduzir uma violência institucional velada e perversa. Conclusão: Infere-se que o relato evidencia como o procedimento parece se inserir em uma lógica de controle e exclusão que normaliza a violência contra corpos vulneráveis. Logo, justifica-se a realização de pesquisa mais aprofundada sobre a temática, ressaltando a urgência de desnaturalizar essas práticas e refletir sobre as estruturas que as sustentam e legitimam.
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Derechos de autor 2026 Amanda Vitória Silva de Lima, Juliane Dominoni Gomes de Oliveira

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