IMPLICAÇÕES DO ASSÉDIO MORAL PARA O PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM
Palabras clave:
assédio, moral, enfermagemResumen
Introdução: O assédio moral em enfermagem é uma violência ao profissional que está, por vezes, imersa na cultura das instituições de saúde, de modo que o profissional de enfermagem nem sempre compreende tal conduta como uma violência: são críticas veladas, humilhações reiteradas e dinâmicas de poder que fragilizam vínculos e produzem fissuras na confiança coletiva. Objetivo: descrever as implicações do assédio moral para o profissional de enfermagem. Metodologia: Realizou-se uma Revisão Integrativa da Literatura, com busca de artigos nacionais e internacionais indexados na base SciELO, publicados em 2011, 2015, 2022 e 2024. Foram incluídos estudos que abordavam diretamente o assédio moral no ambiente laboral da enfermagem, permitindo síntese crítica das evidências e identificação de lacunas científicas. Resultados e discussão: As consequências do assédio moral no trabalho de enfermagem descritas pela literatura abrangem dimensões psicopatológicas (ansiedade, depressão, distimias), psicossomáticas (hipertensão, enxaquecas, dores musculares) e comportamentais (reações agressivas, transtornos alimentares, uso abusivo de álcool e drogas), podendo inclusive levar ao afastamento precoce da atividade laboral, devido a fadiga, estresse, doenças ocupacionais e síndrome de “burnout”.A síndrome de burnout, nesse contexto, manifesta-se como um processo de esgotamento físico e mental progressivo, marcado pela tríade: exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal. Em profissionais de enfermagem, isso se traduz na perda de empatia pelo paciente, no sentimento de incapacidade diante das responsabilidades, na indiferença em relação ao sofrimento alheio e na percepção de que o próprio trabalho perdeu o sentido. O assédio moral potencializa esse quadro, uma vez que corrói a autoestima, mina a motivação e reforça a sensação de inutilidade, transformando o ambiente laboral em um espaço hostil e insustentável. O ciclo perverso entre assédio e burnout cria uma sobreposição de danos que não se restringem ao indivíduo: prejudicam a coesão da equipe, comprometem a tomada de decisões clínicas e favorecem erros assistenciais, ampliando os riscos à segurança do paciente. Trata-se, portanto, de um fenômeno que, ao mesmo tempo em que adoece silenciosamente o trabalhador, desestrutura o tecido organizacional e fragiliza a confiança da sociedade nos serviços de saúde. Tais repercussões não se limitam ao indivíduo, afetam a qualidade da assistência, fragilizam vínculos com pacientes, reverbera na qualidade do atendimento, na segurança do paciente e na própria estrutura de sustentação do sistema de saúde e ameaçam o convívio social e familiar. O assédio moral ultrapassa o campo da saúde ocupacional em enfermagem e se configura como um problema social e de direitos humanos, violando princípios fundamentais de dignidade, liberdade e solidariedade. Conclusão: As evidências do estudo reforçam a urgência de estratégias preventivas e interventivas, que não se limitem ao nível individual, mas envolvam ações institucionais e intersetoriais capazes de transformar o ambiente laboral em um espaço ético, humanizado e saudável, assegurando proteção tanto aos trabalhadores quanto à qualidade da assistência prestada aos pacientes.
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Derechos de autor 2026 Janyclecia Diniz Nóbrega, Maria Heloiza do Nascimento, Gabriel Aires Cassiano, Alan Dionizio Carneiro

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