A SINCERIDADE CONSTRUTIVA DE HANS BROOS

COMPANHIA HERING MATRIZ

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35572/arql.v4i15.7763

Palavras-chave:

Hans Broos, Concreto, Sinceridade Construtiva

Resumo

Este ensaio fotográfico percorre a Companhia Hering Matriz, em Blumenau, como quem atravessa uma paisagem construída em diferentes tempos. Mais do que registrar um conjunto industrial, as imagens procuram revelar a maneira como Hans Broos transforma estrutura, matéria, luz e vegetação em linguagem arquitetônica. Sua obra se aproxima da ideia de sinceridade construtiva associada a Hendrik Petrus Berlage: a arquitetura não necessita ocultar aquilo de que é feita nem revestir sua lógica construtiva para adquirir expressão. Em Broos, o concreto permanece concreto, a estrutura se apresenta como estrutura e os encontros entre os elementos permanecem legíveis. Escadas, circulações, respiros, guarda-corpos, coberturas e demais dispositivos necessários ao funcionamento deixam de ser acessórios e passam a participar diretamente da arquitetura. Essa economia de meios não produz pobreza formal. Ao contrário, amplia a capacidade expressiva do edifício. Com poucos materiais e soluções recorrentes, Broos responde a situações distintas e estabelece uma forte unidade entre as partes. Há nessa atitude uma proximidade com uma tradição moderna também presente em arquitetos como Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha, na qual um mesmo material é levado a desempenhar diferentes funções: sustenta, protege, conduz, delimita, sombreia e enquadra a paisagem. A diversidade não decorre da multiplicação de materiais, mas da inteligência com que são empregados. As fotografias evidenciam também o encontro entre diferentes momentos arquitetônicos. Preexistência e intervenção moderna permanecem reconhecíveis, sem que uma procure imitar ou apagar a outra. Entre ambas aparecem transparências, vazios, passagens, sombras e elementos de conexão que transformam a transição em experiência espacial. A própria tradição é retomada de maneira abstrata: coberturas, vigas, drenos e perfis recuperam formas reconhecíveis, como a geometria das coberturas em duas águas, sem reproduzi-las literalmente. Em outros momentos, elementos evocam o universo técnico das fábricas, máquinas e embarcações, onde cada componente encontra sua forma a partir de uma necessidade concreta. O verde, por sua vez, não aparece como simples complemento paisagístico. Associado às intervenções de Roberto Burle Marx, participa da própria construção espacial do conjunto. Jardins, pátios, árvores, taludes e vazios estabelecem pausas e enquadramentos, aproximando arquitetura e natureza. Em muitos momentos, desaparece a percepção convencional de uma fábrica: tem-se antes a sensação de caminhar por um parque no qual edifícios emergem entre a vegetação. O ensaio procura, assim, registrar uma arquitetura em que rigor construtivo e poesia não se opõem. A poesia parece surgir justamente da precisão: da matéria sem disfarces, da estrutura tornada expressão, da luz que atravessa os vazios e da capacidade de transformar o necessário em arquitetura.

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Referências

Como citar: CATTANI, Rudivan. A sinceridade construtiva de Hans Broos: Companhia Hering Matriz. Revista Arquitetura

e Lugar, Campina Grande, v. 4, n. 15, 2026.

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Publicado

28-09-2026

Como Citar

CATTANI, Rudivan. A SINCERIDADE CONSTRUTIVA DE HANS BROOS: COMPANHIA HERING MATRIZ. Revista Arquitetura e Lugar, Campina Grande, v. 4, n. 15, p. 118–139, 2026. DOI: 10.35572/arql.v4i15.7763. Disponível em: https://revistas.editora.ufcg.edu.br/index.php/arql/article/view/7763. Acesso em: 1 out. 2026.

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